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2022-01-21 16:22:00 -

Palácio 9 de Julho, sede da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, completa 54 anos na segunda, dia 25

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ocupou, ao longo dos seus 187 anos de história, três edifícios-sede antes de se mudar para o prédio atual, o Palácio 9 de Julho, que completa 54 anos de inauguração nesta segunda-feira, dia 25 de janeiro, mesma data do aniversário da cidade de São Paulo.

A atual sede, localizada na avenida Pedro Álvares Cabral, 201, na região do parque Ibirapuera, foi a primeira a ser construída com a finalidade específica de abrigar o Poder Legislativo paulista. Antes, todas as sedes -Pátio do Colégio, casarão na praça João Mendes e o Palácio das Indústrias- foram temporárias e improvisadas.

A ideia da construção de um prédio específico para receber a Assembleia Legislativa foi proposta em 1960 pelo então presidente da Alesp, Roberto Costa de Abreu Sodré. Depois de quase oito anos, a inauguração do prédio se deu quando Sodré havia se tornado governador do Estado de São Paulo, em 1968.

As escolhas do projeto arquitetônico do prédio, acabamento, urbanização dos jardins e mobiliário foram feitas por meio de concorrências públicas. O evento que divulgou o resultado do concurso do projeto do edifício foi transmitido ao vivo pela televisão, na noite de 14 de junho de 1961. Dos 46 projetos apresentados, o vencedor foi o projeto dos arquitetos Adolpho Rubio Morales, Fábio Kok de Sá Moreira e equipe.

Tudo no Palácio 9 de Julho foi planejado, desde o mobiliário até o paisagismo. Encontra-se preservada no Acervo Histórico da Assembleia Legislativa parte dos originais dos projetos arquitetônicos do prédio.

Nesses 54 anos, houve duas grandes reformas no prédio. Em 2006, o Plenário Juscelino Kubitschek, onde são feitas as discussões e votações dos projetos de lei, foi modernizado e reinaugurado. O local recebeu novas instalações elétricas e de informática, além de ganhar acesso adequado a deficientes físicos.

Já em 2009 foi construído um prédio anexo, com novos gabinetes parlamentares.

Curiosidades

Destacamos aqui algumas curiosidades sobre a quarta sede da Alesp. A primeira delas é que manteve-se a denominação da sede anterior -Palácio 9 de Julho. A decisão de manter o nome foi tomada pelos deputados com a aprovação da Resolução 566, de 30 de outubro de 1967.

A pedra fundamental das obras foi lançada no dia 9 de julho de 1962. A data é significativa para o povo paulista, por recordar a Revolução Constitucionalista de 1932. O dia escolhido para inauguração do prédio foi o aniversário da cidade de São Paulo. Assim, entre os festejos dos 414 anos de São Paulo, em 25 de janeiro de 1968, estava a inauguração da nova sede do Legislativo paulista.

Entre os livros da Biblioteca da Alesp, está a resposta ao mandado de segurança impetrado por moradores da região do parque Ibirapuera, em 1962, contrários à construção da sede da Assembleia no entorno do parque. A deputada Conceição da Costa Neves, 1ª vice-presidente, exercendo o cargo de presidente da Alesp, elaborou, em conjunto com a assessoria técnico-jurídica, resposta ao mandado.

A deputada destacou a ida da Assembleia para o Palácio das Indústrias, em 1947, e a crescente inadequação do local para abrigar o Poder Legislativo do Estado. A sede anterior da Assembleia, na década de 1930, era um antigo casarão localizado na atual praça João Mendes, mas foi demolido na década de 40.

"O Egrégio Tribunal não ignora que o Poder Legislativo tem a sua sede em prédio construído para outro fim. Reconstitucionalizado o país [1947], cumpria instalar-se a Assembleia, cujo antigo prédio, situado no centro da cidade, fora demolido em obséquio do descongestionamento. Sem tempo material para a construção de um edifício adequado, adotou-se o único expediente possível, qual o de escolher um próprio que menos inconveniências oferecesse. A escolha recaiu no Palácio das Indústrias", diz trecho da resposta da parlamentar à Justiça.

Sobre a inadequação da antiga sede, a deputada escreveu que "não se podia fechar os olhos à realidade". "Dia a dia mostrava-se cada vez mais evidente a inadequação do edifício às funções políticas e administrativas do Poder que ocupa. As constantes reformas e adaptações, impostas pela necessidade, se foram eternizando, até chegar-se a um ponto em que se teria de violentar as linhas arquitetônicas do puro estilo florentino que inspirou o prédio, o que lhe confere feição de patrimônio histórico na paisagem do Parque Dom Pedro II. Foi quando o deputado Abreu Sodré, no exercício da Presidência, deliberou encarar o problema e dar-lhe definitiva solução. Feitos os estudos, a cargo de arquitetos e paisagistas, elegeu-se o sítio do Parque do Ibirapuera como o mais conveniente, sobre todos os pontos de vista. E um concurso foi instituído para a escolha do projeto, ficando o julgamento a cargo de uma ilustre comissão. Firmou-se como melhor o trabalho de autoria dos renomados arquitetos Adolpho Rubio Morales, Rubens Carneiro Vianna e Ricardo Sievers."

Em outro interessante trecho do documento, a deputada comentou sobre o projeto urbanístico ao redor do Museu do Ipiranga e defendeu a nova sede da Alesp no parque Ibirapuera. "O primeiro e mais grandioso plano urbanístico elaborado para São Paulo previa extenso parque em função de um palácio. A ideia, atribuída à Redentora, materializou-se no conjunto da Colina célebre, em que o parque é posto em função do Monumento ao Imperador e ao Palácio do Ipiranga, em merecida glorificação patriótica e histórica! Aos parques, sempre se reconheceu essa missão. É o Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista; o Palácio de Versalhes; o Buckinghan; o Schonbrunn, em Viena, o Herrenhausen, em Hannover; a Casa Branca... O Parque Ibirapuera não terá outro sentido. Verdadeiro centro cívico de Piratininga, nele se adentra sob a inspiração emocionante do Monumento às Bandeiras, para, logo depois, prostrar-se, genuflexo, ante a agulha marmórea que capta dos Céus as bênçãos ao MMDC!"